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Entidades criticam a evangelização de índios feita por missionários indígenas


Entidades como a Funai estão preocupadas com a evangelização de índios feita por índios convertidos, o debate cada vez mais frequente na mídia é sobre como a mudança de religião interfere na cultura dos indígenas brasileiros.

Um exemplo de trabalho pastoral feito por índios é o caso do pastor Jader de Oliveira, 56 anos, que é filho de pais evangélicos e prega desde os 25 anos no Mato Grosso do Sul.

Segundo o Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei), Oliveira representa a terceira onda missionária no território brasileiro, sendo a primeira delas iniciada no começo da década de 1910 por estrangeiros, a segunda em 1950 por missionários brasileiros e a terceira por missionários indígenas.

A evangelização de índios é tema preocupante para pesquisadores, principalmente diante dos números que revelam que cerca de 32% deles já se declaram evangélicos. Em 1991, pelos dados do IBGE, apenas 14% dos índios eram evangélicos e em 2010, 25% deles.

O assunto voltou a ser discutido por conta da nomeação de Damares Alves para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A pastora evangélica escolhida pelo presidente Jair Bolsonaro será responsável também pela Funai. Após assumir o cargo, Damares deixou claro que não haveria alteração nos procedimentos da Funai e rejeitou os argumentos de que o órgão se tornaria uma “organização missionária”.

Tsunami espiritual para a “janela verde”
O pastor sul-coreano Joshua Chang, 53, que faz parte da Conplei, declarou à Folha que há uma expectativa de evangelização em massa na chamada “janela verde”, Green Window, que compreende a região de florestas tropicais na linha do equador.

O missionário acredita que é possível alcançar cerca de 200 povos isolados que estão nesta região e com lideranças indígenas será mais fácil mostrar o Evangelho para os índios.

“Assim, as três ondas, estrangeira, nacional e indígena, chegariam juntas com a força de um tsunami espiritual para que a mensagem salvífica do Evangelho chegue até aqueles que vivem em lugares distantes e restritos”, diz um livro de apresentação do conselho de pastores destacado pela Folha.

Muitas entidades missionárias estão empenhadas em levar a Palavra aos povos isolados, serviço que não é apoiado pela Funai e outras entidades que prezam pela preservação da cultura indígena.

Um dos críticos é o antropólogo Felipe Milanez, professor de Humanidades na Universidade Federal da Bahia (UFBA), que considera a evangelização de índios como “racismo cordial”.

“É a imposição de uma única forma de ver o mundo, uma visão extremista como a do Estado Islâmico: ou se converte ou está condenado”, afirma Milanez.

O pesquisador também critica a ajuda humanitária que os missionários levam para essas regiões que não são apoiadas pelos governos. “Se usa o discurso da liberdade de pregar como se isso não fosse violento, e tenta-se justificar a conversão pela ajuda humanitária, que é secundária”, diz.

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