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Mudanças no Uzbequistão ainda não significam mais liberdade aos cristãos

Mudanças no Uzbequistão ainda não significam mais liberdade aos cristãos

Com a eleição do Presidente Shavkat Mirzivoyey no final de 2016, muitas mudanças aconteceram no Uzbequistão.

Alguns estrangeiros que visitaram o país notaram as melhorias; um deles foi ouvido pela organização Portas Abertas.

“Eu estive no país muitos anos atrás. E agora que o visitei de novo, posso ver uma enorme diferença, senti que há mais liberdade – não existe o controle da polícia, a atitude com os estrangeiros tem mudado, é mais respeitosa e os serviços estão melhores em todo lugar”.

Segundo o turista, há uma nova polícia para tratar de assuntos relacionados ao turismo. Esses oficiais do governo falam bem o inglês e parecem mais focados em ajudar os visitantes.

“Isso é realmente útil porque dá um sentimento de segurança. Eu penso que a liberdade religiosa tem crescido, e os cristãos locais devem sentir certo alívio”. 

Porém, a versão dos locais é um pouco diferente: “Realmente parece que existe mais liberdade, uma atmosfera de conforto, sem uma forte pressão, mas isso é apenas aparência. Para criar uma melhor infraestrutura, nossas autoridades estão tentando atrair mais turistas, empresários e investimentos. Mas os cristãos ainda são perseguidos”, conta um uzbeque.

As consequências das mudanças no país têm melhorado em alguns aspectos a vida das pessoas. Os policiais, por exemplo, têm mais limites, e não são mais permitidos levar qualquer pessoa até uma delegacia sem uma razão plausível.

Entretanto, os cristãos que deixaram o islamismo não participaram dessa mudança que parece consequência da liberdade religiosa. Nem as igrejas que lutam para terem o direito de existir legalmente. Apenas duas conseguiram o aval para funcionamento nos últimos dois anos. A maioria das igrejas é secreta e enfrenta ataques, buscas domiciliares, prisões, multas e ódio da comunidade muçulmana.

A única Bíblia permitida no país é a edição especial uzbeque, aprovada pelo comitê religioso do Estado. Mas para possuir uma, é preciso ser de família etnicamente uzbeque e passar por questionamentos sobre a origem, o motivo e a finalidade de possuir a literatura religiosa. A Constituição do Uzbequistão prevê a liberdade religiosa, mas esse direito ainda não é realmente claro e obedecido.

O Uzbequistão ocupa o 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2019, com apenas 349 mil cristãos. A maioria da população de 32,4 milhões de pessoas é muçulmana, favorecendo a opressão social e a existência de grupos radicais islâmicos. Como resultado, os governantes utilizam o argumento da presença de jihadistas no país para manter o controle sobre a sociedade.

Fonte: Portas Abertas

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